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Foto de uma mão masculina segurando um celular mostrando a rede social Instagram.

Você é o que você faz nas redes sociais

2,3 bilhões de pessoas, aproximadamente 30% da população mundial, utilizam redes sociais. Facebook, Twitter, Google Plus, Instagram, Whatsapp são as mais acessadas. 70% dos que têm acesso à internet também possuem pelo menos uma conta numa rede social; 60 bilhões de mensagens são trocadas diariamente via Messenger (Facebook) e Whatsapp.

Não apenas os números são impressionantes como também é impressionante a velocidade com que as redes sociais capturaram a atenção desse expressivo contingente de pessoas; o Facebook, a rede com o maior número de usuários, algo em torno de 20% da população mundial, iniciou suas atividades há 13 anos.

Tem sido nos últimos anos, contudo, que o impacto da utilização das redes sociais tem se mostrado mais evidente e demandado mais estudos. Nos EUA, a eleição de Donald Trump, em 2016, escancarou o problema da confiabilidade das informações trocadas nas redes sociais e a brecha para a manipulação das pessoas em larga escala.

No Brasil, a partir das manifestações de 2013 e eleições de 2014, começou-se a dar atenção ao fenômeno dos conflitos interpessoais, trazendo uma gama de críticas negativas a essas ferramentas, somadas a uma percepção popular de que as redes são ambientes utilizados majoritariamente para exibição pública do tipo “narcisista”, em que as pessoas desejam apenas se promover mostrando somente aspectos positivos e felizes de suas vidas. Não é raro ouvir alguém se referir ao Facebook com Fakebook (fake, do inglês, falso, artificial, fantasioso).

Com as disputas políticas no Brasil e a mais evidente polarização ideológica, passou-se a acusar as redes sociais de causarem rompimentos de amizades e até brigas familiares. O Whatsapp, com seus grupos, não ficou atrás; recentemente, numa pesquisa com síndicos em São Paulo, identificou-se que brigas entre condôminos, via grupos de Whatsapp, já alcançavam o primeiro lugar entre os problemas de um Condomínio, superando até mesmo as famosas disputas por vagas de garagem.

Mais do que disputas e brigas entre amigos e familiares, as redes sociais também têm sido acusadas de aumentar o isolamento e solidão das pessoas podendo levar até à depressão e suicídio.

Mas, são as redes sociais de fato vilãs na sociedade contemporânea?

Não é o que demonstram diversos estudos de amplitude global. Ao contrário, um estudo recente antropológico da Universidade College London identificou que as redes sociais têm contribuido de forma positiva para reduzir preconceitos, aproximar pessoas de diferentes origens e religiões, promover a integração entre comunidades pequenas e afastadas geograficamente. Outros estudos apontam para as redes sociais como as facilitadoras em situações de crise, possibilitando que diversos agentes se comuniquem e se mobilizem através delas.

Onde está, então, a aparente incongruência entres essas duas visões? Num ponto: as redes sociais, por si, são apenas ferramentas sem vida, nada produzem sozinhas. São o resultado do engenho e arte humanas, do ponto de vista do produto final – os sites e aplicativos -, mas exigem a interação humana para que delas se faça uso. Elas são como o equipamento que uso para escrever esse texto: sem minha ação, ele nada produz; o que sairá dele, foi idealizado por mim. Logo, afirmar que uma rede social produz isolamento ou leva a conflitos é inverter, indevidamente, o sentido da análise em prejuízo do sujeito.

Do ponto de vista individual, o que temos são as redes como um meio de expressão, não apenas de ideias mas também de nuances de comportamento que ao encontrarem tais meios evidenciam-se podendo se potencializar. Um sujeito com tendências ao isolamento poderá ver nas redes sociais um facilitador para essa tendência, mesmo que dar-lhe vazão intensifique um processo de adoecimento psíquico. Outro sujeito, com uma visão inconsciente negativa de si, poderá usar a rede para angariar curtidas avidamente e se sentir mais aceito ou, ainda, sentir-se ainda mais angustiado com o desfile de imagens de sucesso das vidas dos outros. Inveja, ódio, ciúmes, ansiedade, sentimentos de inferioridade e não pertencimento, dificuldades nos relacionamentos no mundo não virtual, tudo isso ganha espaço e expressão nas redes sociais, das formas mais variadas.

Quanto menor for o grau de consciência do sujeito a respeito de suas questões mais íntimas, tanto mais complexa poderá ser sua interação no mundo virtual. E possivelmente mais sofrida.

Se as redes sociais servirão como meio para uma maior integração social ou para maior isolamento, isso precisa ser observado do ponto de vista do ambiente cultural e, principalmente, do indivíduo e sua relação com o mundo.

Afinal, que uso você tem feito das redes sociais? O que isso pode dizer de você para você mesmo?

 

Artigo LUZZ
Março de 2017

 

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